sexta-feira, 12 de junho de 2009

o amigo do peito do meu melhor amigo


-bom dia?
-bom dia.
[...]
era o que esperava ouvir depois de uma curta, gélida e desagradável noite de sono.
saí do trabalho sexta-feira à noite, véspera de feriado, e resolvi visitar a casa de uns amigos. cheguei e eles estavam sentados, um sem olhar para o outro, com uma certa expressão de desdém mútuo. fiquei sem entender, mas tudo bem.
ela foi para o quarto e nós ficamos conversando sobre qualquer coisa que dava na telha, sem muito se preocupar com horários e afins.
jogamos mais uma dúzia de palavras fora e depois ele foi para quarto e eu fiquei por ali mesmo, no velho e desconfortável sofá.
[...]
-bom dia?
-bom dia.
-e aí, como foi a noite?

-foi legal. nós fizemos as pazes, sabe como é, né?
-imagino.
-e você?
-o quê?
-como foi a noite?
-ah! não foi a melhor noite da minha vida porque...cara, por deus, esse sofá é horrível!
rimos por alguns instantes.
[...]
depois de um café amargo com um pedaço de torta ele, sem muito hesitar a minha presença, fez algo que eu não aprovo nem nas mais críticas situações: acendeu um cigarro.
nada pude fazer senão me espantar com aquela atitude com tão pouca atitude, o que foi logo traduzido por uma expressão que saltou de minha boca como uma bala:
-que porra é essa?!
ele tentou fazer parecer como se fosse a coisa mais normal do mundo, mas (in)felizmente eu não consigo aceitar que estou perdendo o meu melhor amigo para esse vício cretino.

[...]
muito pensei antes de publicar este texto. pensei em não ocultar a sua profunda beleza, até perceber que não há nada de belo nisso tudo.


ps. odeio cigarros!

?

agora me desdobro em mil partes diferentes, em mil eus distintos, porém todos paradoxalmente iguais. cada qual com sua cor, seus credos, seus anseios, suas vontades, suas sexualidades, seus medos, seus amores, seus ódios, suas músicas favoritas, seus melhores amigos, seus nem tão amigos assim, seus inimigos, seus pais, sua nacionalidade, suas manias...enfim, cada qual com o que há de melhor e pior em si, sem tirar nem pôr. cada qual com a sua verdadeira essência de se ser.